:: Artistas










Sinto uma imensa culpa de possuir o que meu público não tem. Eu tento passar para eles tranquilidade ao passo que minha agonia em querer agradar a todos faz com que minha personalidade se desvie.

Quero ser estrela, ou seja fazer com que as pessoas reflitam suas expectativas sobre mim, que irei canalizar cada pensamento e retribuir na medida do possível os desejos e sonhos de cada um.

O dinheiro me parece sujo, as vezes, no princípio de minha carreira vou motivado em oferecer alguma coisa para meu país. Então dou tudo de mim, faço planos e projetos, elimino obstáculos e me torno útil.

Mas com o tempo vejo que alguma coisa está errada. Então reflito para dentro de mim e vejo o que está realmente acontecendo com meus processos e minha individualidade. Então sofro com a agonia de reconhecer a verdade.

Por isto isolo de meu público. Não como uma covardia, mas como uma forma de garantir que eles não sejam influenciados por minha psique. Como se ela fosse uma coisa ruim.

Por isto quando estou diante da realidade, eu choro. Mas em nenhum momento deixo transparecer que por dentro me corroi o sofrimento.

Então só me sobra viver na ilusão do dinheiro ou através de ações benéficas que me fazem sentir menos culpa.

Por isto Deus sempre abre suas cabeças para ver se estão satisfeitos com o dom que lhes foi transmitido.

Então quando o Criador permite o livre arbítrio aos artistas e vêem que eles estão insatisfeitos, eles entram num estado psíquico que começam a rejeitar o próprio público, até que o estado de equilíbrio que este artista deseja seja satisfeito.

Alguns usam drogas, outros se viciam, outros entram em estado de êstaxe, depressão, consumismo, ficam agressivos, falam palavrões, alcoolismo entre outros estados. A medida do “castigo” depende do grau de equilíbrio que o próprio ator pretende adquirir para sua vida.

O desejo de todo artista é no final de seu ciclo ser reconhecido e eternizado. Então em vida eles possuem crescentes delírios de satisfação que o induzem a pensar que viraram estátuas em bancos de praça, que serão museus no exterior e até pirâmides no egito. O estímulo é aplicado até que a pessoa se satisfaça, quando sua expectativa é maior do que a capacidade de seu público de corresponder a despesa necessária para as obras ele toma desgosto pelo reconhecimento e muitas vezes prefere o anonimato.

Eu quero uma estátua no banco da praça dos Correios. Figura pensante e toda a vez que alguém chegar perto da estátua quero que ela imita o som: “Se vira”.

Autor: Max Diniz Cruzeiro

Próximo capítulo: Nepotismo e Megalomania. Não tenham medo não vou falar diretamente seus nomes. Não se preocupe suas contas correntes não serão profanadas.