ministério da cultura

:: Luzia


Por Carina Isabel M. Cardoso

 

Por aqueles corredores com pisos soltos, paredes encardidas e descascadas Luzia transitava todos os dias, vendo sua vida passar sem perceber o dia lá fora.

Mulher magra e muito alva, com aparência cansada e desleixada de quem tem pouco tempo para si, mas ainda mostrando-se bela, apenas descuidada, ela segue mais uma vez para o quarto da mãe doente e moribunda, Luzia cuida da mãe com todo o zelo que uma filha pode dispor a sua progenitora, apesar de seus olhos não esconderem o desprezo por aquela mulher que apesar de velha e doente ainda consegue ser tão cruel, com uma língua tão ferina.

Apesar de religiosa, D. Matilde não tinha nem e longe um coração puro, tinha um olhar que só passava frustração, mágoa e inveja a quem o fitasse. Nada de bom se aprendia com aqueles olhos negros e fundos, mesmo sendo tão experientes e sábios.

D. Matilde sempre foi uma mulher ligada à igreja, querida pelos que compartilhavam sua fé, tão caridosa, tão solicita aos necessitados que a comunidade ajudava, mas,  dentro de casa sempre levou a família com mãos de ferro, nunca dando a menor mostra de carinho e afeição pela única filha e nem ao marido que sempre fez de tudo para agradá-la, bancando todos os seus caprichos, até mesmo concordando que Luzia por ser a única filha não deveria se casar enquanto os dois ainda estivessem vivos, que ela deveria era cuidar dos pais e da casa, pois eles não tinham mais ninguém por eles, e mesmo que ela se casasse e morasse  perto não seria suficiente, teria que morar sempre com eles, até o fim.

Quando o pai faleceu, Luzia perdeu sua única alegria de estar ali, pois o pai era um homem muito gentil, apesar de fraco, nunca retrucou uma palavra maldosa de sua esposa, mesmo assim sua relação com ele era muito boa, ela procurou aceitar que o pai agia dessa maneira para manter as coisas em harmonia.

Agora que estavam só, apenas as duas vivendo na casa, as coisas eram levadas na base da diplomacia entre elas, e ao entrar naquele quarto escuro, fétido e triste ela se preparava para ouvir qualquer coisa de sua mãe, e quando entrava aquela troca de olhares, o ódio com aqueles olhos negros e profundos das duas se encontravam chegava a doer na alma, e D. Matilde não aceitava o fato de estar tão doente, sempre colocando a culpa na filha, pois se não a tivesse parido com certeza sua saúde estaria muito melhor, não teria perdido tanto tempo cuidando de uma criança e sim de si mesma, e não precisaria de ajuda de ninguém. Era inaceitável para ela ter que ser guiada até o banheiro, tomar banho na cama, mas Luzia mesmo com tantos motivos para odiar sua mãe, não conseguia, apenas se sentia muito pequena diante aquela mulher que mesmo na cama, emagrecida e doente , queria apenas um pouco de respeito, afinal ela se abandonou completamente para estar ali, não amou, não estudou, não viveu nada além daqueles corredores com pisos soltos e paredes encardidas, ouvindo as amigas de sua mãe dizerem o quanto ela era boa e generosa, o quanto ela deveria ser grata por ter nascido em um lar tão abençoado, e aquela palavras acabavam por diminuir ainda mais sua esperança de respeito, apesar de seu tamanho, ela se imaginava quase invisível aos olhos negros, profundos e cheio de rancor com os quais sua mãe a fitava entrando no quarto trazendo sua comida, esperando até que ela desse a última garfada e limpar a boca da mãe.

Rezava todas as noites para que aquela fosse a última de sua sina, já não agüenta mais não o trabalhos a ser feito, mas sim o desprezo, mas então outro dia recomeçava e com ele a sina que parecia não ter fim, e a cada dia que passava ficava mais difícil encarar aqueles olhos, aquele rancor, e então aquela menina que tanto lutou para não ter aqueles olhos, os viu no espelho quando refletia sua imagem, e não a dela, viu a mesma amargura, o mesmo mal, sem saber de onde veio o dela, sabia exatamente o quando e o porque seus olhos se tornaram brilhantes como duas pedras de ônix, mas o brilho não era bom, não era agradável, e então ela soube que era hora de acabar com sua sina, foi até a sua algoz e com toda a coragem que o mundo poderia lhe dar naquele momento, em uma última tentativa de viver bem, abraçou sua mãe, disse que a amava e que iram ter novas regras em casa a partir de agora, não suportaria mais aquela palavras cruéis, os olhares de desdém, o rancor e a culpa, tomaria as rédeas da situação e que a mãe pensasse o que quisesse daquilo, foi então que viu sua mãe chorar pela primeira vez em sua vida de quarenta e dois anos, um choro verdadeiro e sentido, vindo da alma, como se descarregasse o peso acumulado a vida inteira, mas nunca explicou o porque daquele choro tão dolorido, mas a partir daí as coisas ficaram diferentes, Luzia conheceu o amor e casou-se,teve filhos e ninguém mais soube de D. Matilde, o que houve com ela só a filha sabe, e o motivo daquele choro também não foi revelado...

Luzia nunca mais pisou naquela casa de pisos soltos e paredes encardidas...



27/04/2013 - Carina Isabel Machado Cardoso
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