:: História da Embratel



Ritos e mitos na Embratel. Análise antropológica de uma estatal







RESUMO


Este texto trata da Empresa Brasileira de telecomunicações AS (Embratel), no período estatal, através, notadamente, das interações cotidianas e extra-cotidianas (eventos de capacitação) do seu quadro de empregados. Discute o funcionamento e os significados da hierarquia, enfocando o peso das relações pessoais na determinação do status, do poder e da dominação entre os empregados. A hierarquia será tomada como um valor apreendido dos discursos sobre o universo social onde estava inserida a empresa, sobre o setor de telecomunicações e sobre a própria Embratel. Trabalhar-se-á a expressão da ideologia tecnocrático-militar tanto sobre a qualificação funcional, quanto sobre a carreira de empregado de estatal. A educação formal e as capacitações propiciadas pelo Departamento de Desenvolvimento Humano da empresa fornecerão a base para as análises desenvolvidas. Igualmente será considerado o modus operandi da eficiência, da técnica e da racionalidade, apreendidas enquanto mitos dos grupos hegemônicos no Estado-nacional brasileiro, no decorrer do regime militar e da nova república. Desse modo, serão analisadas as ações do Estado brasileiro, no período, através da objetivação de agentes executores da política pública de telecomunicações.

ABSTRACT
This text focuses on the Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), during its period of governamental administration, primarily through analyses of employee interactions within both mundane and extra-mundane contexts (i.e. workshops). It discusses the functioning and meaning of hierarchical relations in the formulation of status roles, power, and domination between employees. Hierarchical relations will be interpreted as value systems produced through discourses about Embratel, the telecomunications sector, and other elemensts of the wider social universe in which Embratel is situated. It examines the expression of technocratic-military ideologies in defining the functional roles of employees, as well as the framing of career trajectories of state employees. The formal educational programs and workshops implemented by the company’s Department of Human Resource Development will serve as the primary basis of analysis. Additionally, the modus operandi of eficiência, technology, and rationality will be examined, interpreted as a hegemonic myth of the Brazilian Nation State during this period will be analyzed throgh the objectivation of agents that execute its telecomunications policies.

- Introdução

“Para descobrir a função social dos ritos totêmicos, temos de considerar todo o corpo de idéias cosmológicas de que cada rito é uma expressão parcial. Creio ser possível mostrar que a estrutura social da tribo australiana está relacionada de modo muito especial com essas noções cosmológicas e que a manutenção de sua continuidade depende de mantê-los vivos, por sua expressão regular no mito e rito. Podemos dizer que partilhar na execução dos ritos serve para cultivar no indivíduo sentimentos de cuja existência a própria ordem social depende”. (RADCLIFFE-BROWN 1973: 181-182)

Este texto sintetiza as considerações feitas durante a elaboração de uma dissertação sobre a Embratel no período anterior a privatização, defendida em 2001 no PPGCS/UFBA. Seu recorte envolve os empregados de estatal que foram os agentes executores da política de intervenção na economia nacional forjada pela Doutrina de Segurança Nacional, hegemônica durante o regime militar, para tornar a nossa economia mais eficiente e racional com a disponibilização dos meios técnicos necessários.

Nele serão analisados ritos e mitos1 registrados no cotidiano duma estatal de telecomunicações criada pelo regime militar, a Empresa Brasileira de Telecomunicações SA (Embratel), durante um trabalho de campo conduzido no seu Departamento de Desenvolvimento Humano (DDH), em 1994-95 e em entrevistas com empregados e ex-empregados demitidos aposentados ou transferidos após a privatização, em 1998.

O objetivo central é compreender as representações construídas, por grupos hegemônicos no Estado-nacional brasileiro, após o golpe militar de 1964, a partir de uma etnografia de situações vivenciadas pelos empregados da Embratel e da análise de discursos ideológicos incorporados por estes empregados, seja no cotidiano de suas atividades na empresa, seja em eventos de capacitação implementados pelo DDH.

Para atingir esse objetivo, outros terão de ser perseguidos. Assim, discutir-se-á os limites e possibilidades, abertos pela objetivação da participação de um cientista social no grupo que ele toma como objeto de investigação. É desta forma que será trabalhada a participação do pesquisador como bolsista pós-graduando assessor do DDH.

Serão consideradas, também, as diversas redes de status hierárquico que se entrecruzavam no funcionamento da Embratel, tomadas enquanto discursos, fenômenos historicizáveis, situações construídas em relações face-a-face e nas atividades dos nomeados para postos formais, cujos atributos eram regulados internamente.

Finalmente, serão interpretadas as ações e representações dos agentes posicionados nessas redes, acionadas pelos agentes e registradas pelo observador no decorrer de eventos de capacitação, momentos extra-cotidianos carregados de regras ritualizadas de participação e aquisição de status.

A análise desses fenômenos se justifica, de imediato, pelo vulto dos valores econômicos envolvidos na implantação e operação da Embratel, quando ocorreu a modernização do sistema de telecomunicações brasileiro. Justifica-se, ainda, por ensejar a produção e análise de dados históricos e etnográficos relativos à história recente do Brasil, e, particularmente, a uma instituição vinculada ao Estado e controlada por grupos hegemônicos da classe dominante brasileira. Sob certas reservas, os fatos construídos poderão gerar interpretações generalizáveis sobre as representações das relações entre os domínios público e privado em nosso país.

Descrever-se-á o trabalho de campo ocorrido entre fevereiro de 1994 e maio de 1995, tomando como foco da análise as dificuldades e soluções encontradas no campo. O eixo desta descrição será o “Programa de Bolsistas”, através do qual a Embratel contratou sessenta pós-graduandos de diversas áreas, para assessorar o DDH na capacitação de empregados e na construção de um discurso em defesa do caráter estatal das telecomunicações, mediante o qual faria face às ameaças de “flexibilização” ou quebra do monopólio.

Tratar-se-á, também das hierarquias na Embratel.2. As relações hierárquicas serão reinterpretadas enquanto modus operandi dos eventos de formação e capacitação funcionais. Nestes momentos, para além dos cargos e postos que ocupam na instituição, os agentes “internos” serão divididos em instrutores e empregados em treinamento.

Essa classificação permite a inclusão dos agentes “externos” que participavam dos eventos na condição de convidados, entrando e ampliando o jogo de relações hierarquizadas e ensejando uma imagem mais completa da rede de relações que se formava a partir da estatal. Relações que envolviam a presença de “internos” e “externos”.

Proceder-se-á a uma apresentação geral da estrutura interna da empresa, ao menos a uma das muitas que existiram escolhida por ser aquela que vigio durante o período em que assessoramos a Embratel. O quadro parecerá um tanto surrealista à luz do organograma simplificado da Embratel durante o governo Itamar Franco. Nestas análises se encontrará a descrição de uma estrutura estruturada, que, por sua vez, estrutura mitos, rituais e comportamentos dos empregados que se relacionam no interior do quadro.

Os caminhos serão a comparação de siglas e atividades de variados setores. Destacando a autonomia relativa na administração regional e os fatores diferenciais produzidos por ela; concluindo com os efeitos e significados do organograma para o funcionamento da empresa e para o estabelecimento de relações de hierarquia e domínio entre os empregados.

Analisar-se-á o quanto às relações hierárquicas próprias da burocracia são mediadas por relações estabelecidas pessoa a pessoa. Para tal se descreverá o valor dos diferentes cargos ocupados por empregados da Embratel, ou seja, sua posição legitimada formalmente. Este status será somado à busca de legitimidade, que gerava uma concorrência pelos postos comissionados (cargos de chefia remunerados ou coordenações não remuneradas). Tudo isso resultava numa rede de posições e tomadas de posição.

Os eventos, elementos periféricos na interpretação dos cenários hierárquicos que serão descritos, passam a constituir o foco central da análise. Como fio condutor das diversas observações, textos e comentários registrados, optou-se pelas relações entre a qualificação funcional e a carreira de empregado da Embratel.

- Objetivação de uma Assessoria: trabalho e pesquisa na EMBRATEL

“É na consideração das idéias e dos valores que se aprofunda a relação com o outro. A recusa em centrar a atenção nas ideologias equivale a uma recusa do pesquisador de se colocar a si mesmo em causa em sua pesquisa...” (DUMONT, 1992:.22).

“Há dez anos que assistimos nos Estados Unidos a uma revolução sensacional... reveladora da crise espiritual que a sociedade americana contemporânea atravessa... Mas abrindo aos etnólogos as portas das usinas, dos serviços públicos nacionais e municipais, por vezes mesmo dos estados-maior, demonstra que entre a etnologia e as outras ciências do homem a diferença está mais no método do que no objeto” (LÉVI-STRAUSS, 1996:122)

Das considerações possíveis de fazer na relação entre um antropólogo e empregados da EMBRATEL, a primeira diz respeito às dificuldades em conduzir um trabalho de campo numa empresa marcada pelo fechamento das suas informações internas. No período estatal este fechamento era explicado pelo vínculo do serviço de telecomunicações com as questões de estratégia militar, ou seja, uma expressão da Doutrina de Segurança Nacional. Após a privatização, o fechamento permaneceu e até se ampliou, explicado, agora, pela forte concorrência entre as diversas empresas de telecomunicações que atuam nacional e internacionalmente.

O trabalho de campo realizado foi uma experiência de tentar objetivar a atuação como assessor do Departamento de Desenvolvimento Humano da Embratel entre 1994 e 1995, atuando na área de antropologia (o que justifica o subtítulo, cabe notar que a base teórico-conceitual não é exclusivamente antropológica). Superar os obstáculos colocados para a coleta de informações e para a sua interpretação e reconstrução enquanto dados foi uma tentativa de não desperdiçar a oportunidade de compreender uma estatal, hoje, privatizada.

Estava-se, assim, ante um trabalho de campo que não poderia ser repetido e com a obrigação de interpretar informações e construir dados que, dificilmente, poderiam ser retomados por outros pesquisadores. Isto nos levou a calibrar enfoques metodológicos, inverter a utilização de técnicas de coleta de dados (usando, por exemplo, entrevistas abertas no fim da pesquisa para confirmar hipóteses) e cruzar análises teóricas, partindo de teorias extraídas da antropologia dos rituais, da sociologia da educação e dos estudos sobre hierarquia, para tratar de um fenômeno vinculado ao mundo do trabalho.

Percebe-se, de imediato, a centralidade e a multivocalidade das relações de trabalho na construção de significantes e significados para as ciências sociais. A partir de relações cotidianas no ambiente de trabalho, foi possível tratar de relações hierárquicas no interior de burocracias, das relações entre ações pedagógicas e a carreira de empregado de estatal, da ritualização da vida social, e, indiretamente, compreender elementos da história recente do Estado brasileiro.

O discurso sobre a origem militar da Embratel encontrado nos diálogos cotidianos, observados durante o trabalho de campo, inspirou o terceiro capítulo da dissertação. Caracterizava-se a empresa e seu quadro de empregados como uma caixa, colocada numa caixa maior (o Estado), contendo caixas menores, que, por sua vez, continham outras menores ainda. Tentava-se, assim, perspectivar o processo englobante/englobado a partir de uma agência burocrática responsável pela execução de uma política pública.

- Hierarquias na EMBRATEL. Valores significantes nas relações burocratizadas

“Sinto no meu corpo

A dor que me angustia.

A lei a meu redor,

A lei que eu não queria.

Estado-violência, Estado-hipocrisia,

Uma lei que não é minha

Uma lei que eu não queria

Seu corpo não é seu

Meu coração não é meu

Atrás de portas frias

O homem esta só.

Homem em silêncio, homem na prisão,

Homem no escuro, futuro da nação.

Estado-violência deixe-me querer.

Estado-violência deixe-me pensar.

Estado-violência deixe-me sentir.

Estado-violência deixe-me em paz.”

(Titãs, Cabeça Dinossauro - 1986)

“A cidade não para, a cidade só cresce.

O de cima sobe e o de baixo desce.”

(Chico Science e Nação Zumbi, Maracatu Atômico - 1995)

“Cores, raças, castas, crenças...

Riquezas são diferenças.

Em qualquer canto miséria,

Riquezas são, miséria é!”

(Titãs, Om Blesq Blom – 1988)



A revisão de textos sobre relações hierárquicas demonstrou que a hierarquia é um valor incorporado nos discursos sobre o mundo social, sobre as relações de poder, domínio e status, estabelecidas entre agentes colocados num mesmo espaço social. O direito de interpretar esse discurso, na Embratel, configurava-se num poder da visão e di-visão da instituição. Este poder diferenciava, e reintegrava, a dominação e as posições de mando, pois, não havia um discurso unívoco sobre a hierarquia da empresa.

Em cada setor da empresa, em cada momento cotidiano das relações entre subalternos e superiores, nas relações estabelecidas com agentes “externos” à empresa, via-se a estrutura hierárquica ser reativada em interações.

Todo mito possui um ritual próprio para atualizá-lo. Não poderia ser diferente com a ideologia tecnocrático-militar que regia as relações hierárquicas na Embratel. Optou-se por desconstruir as relações hierárquicas, internas e externas à empresa, analisando a atuação dos agentes envolvidos em eventos de capacitação.

Nesses momentos extra-cotidianos se pode observar empregados de diferentes níveis hierárquicos, que ocupavam postos em setores diversos e eram responsáveis por atividades “fim” e atividade “meio”, relacionando-se entre si e com agentes “externos” convidados para participar dos eventos.

Introduziu-se na análise, como elementos catalisadores das relações de poder e dominação estabelecidas nos âmbitos interno e externo à Embratel, as relações pessoais. A rede de relações pessoais que localizamos na formulação e implementação de eventos vinculava agentes dos diversos setores da empresa com outros, posicionados em instituições públicas, estatais e privadas, e expressava a rede mais ampla que compreendia a “alta-direção” e o plano de gestão da estatal, estabelecidos a cada mudança de governo.

Para uma melhor compreensão dessas relações, buscou-se objetivar o organograma funcional da empresa. Os laços burocrático-formais não explicavam, por si só, o status adquirido, de forma pessoal, por cada agente empregado da Embratel.

Tome-se como exemplo os diretores regionais, empregados que eram escolhidos pela “alta-direção” para dirigir as sedes regionais da empresa. Estes agentes tinham o status aumentado, no âmbito externo à empresa, quanto mais sua região fosse distante da sede nacional, no Rio de Janeiro. Ou seja, em sua região ele era a maior autoridade da empresa, o que lhe possibilitava estabelecer relações importantes com os grandes usuários locais.

Por outro lado, o diretor da região Sudeste, ainda que ocupasse salas no edifício da sede nacional, percebia o aumento do seu status interno em relação aos outros diretores regionais por dirigir a região com o maior número de empregados e usuários posicionados no centro econômico e financeiro do país.

Dessa forma, mesmo não sendo parte da “alta-direção”, os diretores regionais detinham uma autonomia relativa em termos de ação e decisão e um status que combinava o seu “posto” na empresa com o fato de serem empregados, a muitos anos, da mesma (ou seja, ocuparam antes uma série de “postos”), o que lhes diferenciava da “alta-direção”, cujos agentes, em sua maioria, resultavam de indicações políticas externas à empresa.

Outra forma encontrada para observar, globalmente, a hierarquia na Embratel, foi objetivar como esse valor era apresentado para um público “externo” à empresa, mas que, ao mesmo tempo, conviveu, por um certo período, com os “internos”. Ou seja, objetivou-se a maneira pela qual a hierarquia da empresa foi apresentada aos bolsistas pós-graduandos alocados no DDH, entre os quais o próprio pesquisador.

A garantia de manutenção do status de cada agente, assim como a obediência de subalternos a superiores dependia, do respaldo das relações pessoais. Assim, para além da eficiência técnica e da racionalidade apresentadas como ideologia encompassadora da hierarquia na Embratel, ocorriam interferências de relações estabelecidas a partir de amizade, parentesco ou outros interesses pessoais.

Isso não impedia, no entanto, que os empregados negassem, em seus discursos, o peso das relações pessoais na determinação do seu comportamento, do sucesso ou do fracasso da carreira na empresa. Aqui, a ideologia mostrava-se nos seus aspectos mais alienantes, camuflando motivações e tornando a dominação de um grupo sobre os demais, como uma conseqüência “natural” de maior competência técnica. Um exemplo disto era a crença na legitimidade das condutas de seleção e promoção utilizadas pela empresa.

Ao analisar a posição formal de cada empregado (“cargo”), percebeu-se que elas, mesmo quando idênticas, se diferenciavam a partir do “posto” comissionado para cada agente. Nessa relação entre “cargo” e “posto” incidia a maioria dos mecanismos que faziam funcionar as relações pessoais na empresa.

Ademais, um dos efeitos centrais dessa relação entre “cargo” e “posto” provinha da possibilidade dos “postos” de chefia definirem os “postos” a serem ocupados por seus subordinados. Somando-se isto ao poder de avaliar a atuação dos subordinados, premiando-os com promoções, chegávamos a formações semelhantes aos “feudos” nos diversos setores da empresa, ou seja, cada chefe local conseguia uma adesão quase total dos empregados alocados no setor que chefiava aos seus interesses pessoais.

Essa “feudalização” convivia com a centralização imposta pela “alta-direção” na tentativa de implantar os planos de gestão. A atuação das duas forças prejudicava o desempenho da empresa nas suas funções administrativas e técnicas, acarretando lentidão nos processos decisórios e de atuação.

As relações entre, a carreira de empregado numa estatal e a qualificação trouxeram para a cena uma análise mais detida da ideologia contida na Doutrina de Segurança Nacional, que tomava a técnica, a eficiência e a racionalidade como mitos do Estado brasileiro no cumprimento de seu papel de empresário ensejador do desenvolvimento da economia nacional durante o regime militar.

No setor das telecomunicações esses mitos tornaram-se um refrão repetido por todos os empregados da Embratel “implantar, operar e expandir sistemas de telecomunicações”. A não existência de agentes especialistas, na área de telecomunicações, capazes de cumprir a missão proposta à empresa gerou um sistema de contratação e treinamento, no qual a qualificação funcional se iniciava por estagiários retirados de centros de excelência acadêmica, treinados e efetivados como empregados da empresa.

Cumprir essa “missão” era legitimar o poder dos técnicos e militares envolvidos no regime militar. Assim, as ações pedagógicas formuladas e implementadas com esse fim, expressavam ritualmente o poder hegemônico dos grupos que dominavam o Estado-nacional brasileiro durante as duas primeiras décadas de funcionamento da Embratel.

- QUALIFICAÇÃO FUNCIONAL E CARREIRA NA EMBRATEL

“...Numa sociedade em que a obtenção dos privilégios sociais depende cada vez mais estreitamente da posse de títulos escolares, a escola tem apenas por função assegurar a sucessão direta a direitos de burguesia que não poderiam mais se transmitir de uma maneira direta e declarada. Instrumento privilegiado da sociodicéia burguesa que confere aos privilegiados o privilégio supremo de não aparecer como privilegiados, ela consegue tanto mais facilmente convencer os deserdados que eles devem seu destino escolar e social à sua ausência de dons ou de méritos, quanto em matéria de cultura a absoluta privação de posse exclui a consciência da privação de posse” (BOURDIEU & PASSERON, 1975: 218)

Fazer parte de uma estatal como a Embratel significava entrar num sistema de treinamento contínuo. Este treinamento justificava-se através de padrões de racionalização da produção que visavam, por sua vez, a maior eficiência técnica do quadro de empregados.

Mesmo durante treinamentos “não-técnicos”, percebia-se, de forma explícita, a justificação e a reprodução da ideologia tecnocrático-militar que originou a Embratel. Eram legitimadas, assim, ações planificadas, e inculcadas motivações nos agentes responsáveis pela execução da política de telecomunicações. Por outro lado, vinculava-se a participação nos treinamentos à ascensão funcional na Empresa.

Dessa forma, a participação em eventos assumia um caráter de processo ritual, estabelecendo passagens ascendentes, abertas, na teoria ao menos, a todos os pertencentes ao quadro de empregados da Embratel.

Um dos tipos de ritual, os “introdutórios”, funcionavam como ritos iniciáticos que diferenciavam “internos” de “externos”; divisão claramente marcada por ocasião dos concursos e seleções internas, anteriores à Nova república. Já a inserção na empresa pautava-se nos padrões do sistema escolar. Utilizava-se, assim, a aparência de neutralidade e independência do sistema de ensino formal para ocultar, tanto o arbítrio do exame, quanto à eliminação, sem exame, dos “externos” nas seleções internas e na chamada prioritária para os internos que buscavam reclassificação de cargo nos concursos abertos.

A participação em eventos funcionava, também, como uma expressão ritual da carreira de empregado. Era como se o modo de se comportar e a quantidade de participações em eventos representassem o comportamento e a produtividade de cada empregado na Embratel.

Cada evento, cada promoção, cada “cargo” e “posto” ocupados representava a oportunidade de todos os empregados ascenderem na hierarquia da empresa. Isto camuflava o fato de que o “cargo” e “posto” que seriam ocupados no fim da carreira eram determinados, em grande medida, pelo “cargo” no qual o empregado entrara na Embratel.

Para trabalhar o caráter discursivo dos eventos, buscamos as fontes desses discursos, encontrando três configurações que interagiam formando um discurso empresarial sobre as relações entre a qualificação funcional e a carreira de empregado de estatal.

Como primeira fonte analisou-se o conjunto de diretrizes oficiais que se cristalizavam nos discursos oficiais da “alta-direção”. Estes discursos assumiriam a forma escrita no plano de gestão, texto que definiria cada uma das áreas de atuação da empresa. Debates posteriores retomariam estes discursos e cada agente tentaria adaptar suas opiniões a eles, e vice-versa.

O plano de gestão sozinho não conseguiria influenciar o quadro de empregados, nem mesmo os agentes que ocupavam “postos” de chefia. Para tal se fazia necessário à utilização de meios mais sutis de transmissão das diretrizes oficiais para o restante do corpo de empregados.

Nesse ponto, a principal conclusão é que toda modificação na mentalidade empresarial requer uma ação orquestrada, convertendo agentes e formando multiplicadores para transmitir o plano de gestão. Um dos mecanismos utilizados com esse objetivo era a contratação da assessoria de experts para treinar os multiplicadores, em especial, os gerentes que possuíam ascendência sobre os seus subordinados.

Mesmo essas ações baseavam-se em relações pessoais. Os experts que permaneciam por maior tempo em contato com o DDH, conseguindo aprovar projetos financiados pela Embratel, eram aqueles cujos interesses coadunavam com os dos responsáveis pela qualificação funcional na empresa.

As idéias trazidas pelos experts terminavam por ser interpretadas pelos empregados do DDH, que se utilizavam das “sínteses” para explicar aos empregados em treinamento “...o que se queria dizer realmente...”. Estes empregados multiplicariam o alcance dessas “sínteses” repassando-as aos setores onde atuavam, quando da sua volta dos eventos de capacitação. Em suma, ao legitimar determinados especialistas, os agentes do DDH legitimavam a si próprios ante os treinados, e estes, por sua vez, legitimados pela sua participação nos eventos, legitimavam as idéias aí veiculadas para o restante do quadro de empregados.

Outro ponto importante em relação aos eventos era seu caráter de diálogo da “alta-direção” com os empregados, tentativa de abrir a empresa para a participação democrática da maioria dos empregados nas ações empreendidas com o fim de enfrentar a “flexibilização”, ou a quebra do monopólio estatal das telecomunicações.

A aparente democracia não impedia que as “sínteses” continuassem a ser reproduzidas por todos os envolvidos nos eventos, nem garantia que idéias minoritárias conseguissem espaço para a sua veiculação, muito menos implementação. Na verdade, na mesma medida que alguns eram selecionados para participar dos eventos, outros, o eram para não participar. Especialmente no caso dos empregados do interior, em que as equipes reduzidas não permitiam nem mesmo o acompanhamento das palestras via TV Executiva.

Finalmente, chegou-se aos conteúdos e significados produzidos e veiculados nos eventos. Aqueles (eventos) que foram submetidos à análise demonstraram seguir os interesses de seus formuladores, combinando uma multidisciplinaridade forçada com “sínteses” exóticas de temas, conceitos e interpretações apresentadas por autores, que, muitas vezes, pareciam não saber o que estava acontecendo à volta. Como bem o afirmou uma das organizadoras do evento “Introdutório Para Bolsistas Pós-Graduados”, comentando as dificuldades dos participantes em entender a escolha dos temas apresentados: “Tudo aqui é muito confuso”.

Deparou-se com diferentes reações por parte das platéias desses eventos. Primeiro foram analisados os relatórios das discussões desenvolvidas em grupos de trabalho onde se reproduziam as idéias centrais das palestras veiculadas nas manhãs, em especial, aquelas que haviam sido “sintetizadas”, por representantes do DDH, para os empregados ouvintes. Algumas tentativas de discordância do que havia sido dito eram barradas pelos próprios integrantes dos grupos de trabalho, gerando anexos, elaborados por iniciativas individuais, considerados não representativos das opiniões expressas pelos grupos.

Apresentados como anunciadores de uma nova era, para a Embratel, os eventos “não-técnicos”, junto com todo o programa de capacitação elaborado para enfrentar a privatização funcionaram como um ópio paliativo para as demissões em massa que se seguiriam.

Os empregados treinados nos eventos, além dos privilégios de estadias pagas, contavam com uma valorização no seu status, pois parecia prevalecer o consenso de que se a empresa estava investindo neles, tal decorria do reconhecimento de que eles eram importantes para a mesma. Junte-se a isso o acesso privilegiado às novidades do Plano de Gestão que atingiria a todo o quadro de empregados quando da sua implementação. Comentando o WFSB, cujas palestras havia assistido via TV Executiva – uma rede interna da Embratel –, um ex-empregado afirmou:

“...eu senti que era um trabalho arquitetado para começar uma mudança profunda na empresa. A partir desse evento houve uma revolução dentro da Embratel. Os empregados começaram a ser instigados pelos próprios chefes a ler os informativos da empresa; até aquele momento você só via coisa basicamente técnica. Começaram a surgir pequenas cartilhas em diversos segmentos, a Embratel se abriu mais. O empregado passou a ter acesso às informações, até porque ela [a Empresa] sentia aquela necessidade. Eu queria assistir para ver mas achando que aquilo era um verdadeiro “conto da carochinha”. Muitos empregados se empolgaram e eu disse “Olha! Isso que tá acontecendo é o que a gente vem falando há tempos. Vamos nos preparar porque o desafio vai ser grande. A Embratel vai cair nas mãos dos gringos. Estão preparando para ser vendida e vai terminar em demissão, em redução de quadro”.

Enquanto eram discutidas questões políticas, econômicas e culturais do que se denominava caráter nacional, enquanto se acenava para os empregados que a qualificação funcional seria uma forma de garantir seus postos no ambiente privatizado, adaptando-os ao mercado e às novas regras do jogo, não foram construídos mecanismos para a garantia do emprego de todos aqueles tidos como dispensáveis para uma empresa que passava do sistema analógico para 100% de digitalização (cerca de cinco mil pessoas). Negligenciou-se, pois, o estabelecimento de padrões internos de funcionamento passíveis de manter as motivações sociais da antiga estatal.

- Considerações finais

“O ministro Sérgio Motta estimava que a venda das empresas do Sistema Telebrás arrecadaria algo entre 30 e 40 bilhões de reais. O próprio Mendonça de Barros, ao assumir o Minicom em abril afirmou que a parte do governo nas empresas alcançava 21 bilhões de reais. Hoje, inexplicavelmente, corremos o risco de perder o maior patrimônio nacional por R$ 13 bilhões. A vileza do preço mínimo estipulado (ou mesmo das ofertas que embutam algum ágio) não é declarada apenas pela Fittel ou pelos partidos de oposição. Estudos do Banco Bonzano Simonsen, por exemplo, garantem que pelo meno a Telesp, a Telesp Celular e a Embratel valem mais do que o estabelecido pelo governo. O negócio da China é confirmado até pela tropa de choque da privatização. O jornalista Aloísio Biondi, da Folha de São Paulo, flagrou o seguinte discurso de José Pio Borges, diretor do BNDES, em viagem para “atrair” compradores norte-americanos: “comprem as empresas de telecomunicações brasileiras agora, que daqui dois ou três anos vocês poderão revendê-las por duas ou três vezes os preços pagos agora (FSP, 18/06/98, Caderno Dinheiro: 2)” (apud FITTEL, 1998).

Dito em outros termos, os mesmos que antes eram íntimos do poder, e, por isso, recebiam todas as vantagens decorrentes da utilização de sistemas modernos de telecomunicações, tiveram agora a possibilidade de controlar a empresa, tendo como único limite à propalada concorrência que livraria a todos os usuários das mazelas do sistema.

Pensamos que esse é um dos caminhos possíveis para o prosseguimento desta pesquisa. Precisamos conhecer os efeitos da privatização das telecomunicações, saindo do ambiente da Embratel e trilhando os descaminhos tomados pelos serviços multifacetados que têm sido oferecidos ao público, para cuja análise será necessário envolver as antigas “teles” estaduais e a abertura de espaço para a telefonia celular.

Outro ponto passível de ser generalizado para todo o sistema de telecomunicações nacional é a presença dos engenheiros de estatais, como um todo, e, no caso específico, a dos engenheiros de telecomunicações na construção das telecomunicações brasileiras. A sociologia do conhecimento poderia fornecer elementos sobre como estes agentes tiveram um papel triplo durante seu surgimento em nosso país. Em primeiro lugar, foram agentes militares os responsáveis pela integração do território nacional, elemento-chave para a garantia da segurança durante o regime militar. Sem a modernização das telecomunicações teria sido impossível vigiar nossas fronteiras, tanto as territoriais, como as ideológicas. É necessário melhor compreender o grupo-executor destas ações. Em segundo lugar, foram agentes da burocracia estatal os executores da intervenção do Estado no setor de telecomunicações, garantindo bases modernas para a economia nacional. Em terceiro lugar foram agentes que garantiram, aos grandes usuários de telecomunicações, a potencialização das suas relações comerciais e administrativas, garantindo a reprodução do grande capital em território nacional. Qual será o efeito da privatização sobre a formação e qualificação desses engenheiros, responsáveis pela produção, implantação e operação de tecnologias de ponta no nosso país? Não será uma pesquisa fácil. Empresas como a Embratel decretaram políticas internas de sigilo empresarial que impedem o conhecimento desses fenômenos. Outras estatais caminham para a privatização. Compreender esses caminhos é, segundo se entende, um direito de todos os cidadãos brasileiros. Precisa-se tomar conhecimento sobre as eventuais vantagens e desvantagens decorrentes desse processo.

1Mito e rito são tomados em suas acepções tradicionais, construídas por analistas de sociedades “simples” ou “primitivas”, compreendendo falas e comportamentos, em alguma medida, padronizados, que constroem o real para cada grupo social. A riqueza teórica de tais noções está no fato de que elas ultrapassam o domínio do religioso. Essa forma de pensar não é estranha a antropologia religiosa de Rudolf Otto, Micea Eliade ou Émile Durkheim, que concebem o sagrado como a manifestação de uma potencia ou força “sobrenatural”, “extraordinária”, primordial. As ritualizações e as crenças que elas reativam atuam como princípios de estruturação e organização do dinamismo social. Assim serão analisados os eventos de qualificação funcional.

2Os antropólogos sociais ingleses chamam a atenção para questões mal resolvidas nas chamadas relações de poder. As teorias e análises da ciência política apontam muitas contingências e necessidades fundamentais destas relações. A antropologia política que constroem explicita os limites de tais interpretações ao mapear sistemas políticos que consideraram representativos do como se expressava a relação entre a cultura de um povo e seu sistema político. O objetivo de sua investigação sociológica era a natureza desta conexão. Como se analisa fenômenos vinculados à capacitação de quadros de uma burocracia técnica que executava a política de telecomunicações brasileira é útil levar em consideração as críticas de Balandier ao recorte destas produções que, limitando-se as sociedades tribais africanas tornou-as incapazes de, per si, elucidar o problema do Estado por dissociar este da teoria política; ainda que os trabalhos de campo e os inventários de sistemas políticos “exóticos” tenham fornecido a todos os analistas das relações de poder uma eficácia crítica incontestável, principalmente, por manter uma virtude corrosiva em relação às teorias políticas já estabelecidas. Um dos frutos do seu caráter instrumental, revelador e interpretativo das práticas e institucionalizações que asseguram o governo dos homens.

- Referências

BOURDIEU, Pierre & PASSERON, Jean-Claude. 1975. A reprodução. Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora, p.238.

DUMONT, Louis. 1992. Homo Hierarchicus: O Sistema de Castas e Suas Implicações. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.

LÉVI-STRAUSS, Claude. 1996. Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Editora Tempo Brasileiro, 456p.

RADCLIFFE-BROWN, Alfred Reginald. 1973. Estrutura e função nas sociedades primitivas. Trad. Nathanael C. Caixeiro. Petrópolis: Vozes.

Autor: José Luís Caetano da Silva

Max Diniz Cruzeiro

Electronics Technician

Bachelor of Statistics

Post graduate in Clinical and Business Psychopedagogy

MBA in Marketing and Social Networks

Postgraduate in Clinical Neuroscience

Postgraduate in Psychoanalytic Theory

Doctor PhD Student in Philosophy - Psychology: Cognitive

Self-taught Writer

Self-taught Ufologist

Specialist Self-taught in Remote Sensing

100% of the production of texts is in Portuguese!
95% of text production is in English!
90% of the production of texts is in Spanish!
The records from 2105 to 52104 is a great mechanical phrase writing experiment crafted in excel!









ADIÇÃO (24/MAR/2017) NO SITE LenderBook

INSAUT MATERIAL PRINCIPAL DA LENDERBOOK



Listar índice completo...





Previsão para Setembro de 2016













The film contains technology information!






Release (Book of Knowledge): Pay for this book the price of a Fast Food your city in our donation systems (paypal or Pague seguro).

Lançamento (Livro do Conhecimento): Pague por este livro o preço de um Fast Food da sua cidade em nossos sistemas de doações (Pague seguro ou paypal).


Version Original +- 4,3 MegaBytes
].....[
Version with Art +- 75 MegaBytes
].....[
Doando você estará ajudando alguém através de nossos projetos














Amigos,
Bom dia,
Ofereço serviços de impressão a Laser frente e verso de excelente qualidade:
Regra: o trabalho deve estar digitalizado e não necessitar de qualquer tipo de revisão
Especificação: Folha A4
Valores:
Apenas toner preto: 15 centavos cada página
Com toner colorido: 30 centavos cada página

Obs.: Não é serviço de xerox a qualidade é igual a impressão de livro. Não fazemos desconto. Os valores de impressão para este tipo de serviço no mercado é de 25 centavos para toner preto e 1 real para toner colorido.
Se souberem de algum estudante que queira imprimir algum trabalho de alta qualidade repasse o meu e-mail por favor. Conforme o volume entrega no dia seguinte. Serviço realizado no período noturno. Necessário pedir com antecedência para entrar na fila de impressão.
Enviamos o material impresso através dos Correios para sua casa (Impressão + custos de envio). Aproveite a oportunidade selecione nossos textos que enviamos para você o seu arquivo digital impresso. Pagamento antecipado via paypal ou pagseguro.
lenderbook@gmail.com

A rede social da Cultura Brasileira
Disponível para todos que nutrem um amor inconfundível por esta pátria chamada Brasil.

Uma iniciativa do Ministério da Cultura - Governo Federal




Site designed and supervised by Clinical Neuroscientist.

Site desenvolvido e orientado por Neurocientista Clínico.

Max Diniz Cruzeiro



Welcome to Heavenly groupings

The brothers who are outside the celestial vault,

thanks for your existence,

Come to us all that comes from you what is good,

Is made a conscious and collective will,

On Earth as elsewhere

Let us be worthy of our own support

Spare us the misunderstanding that arises from our essence

Just as we are able to reflect and

limit the badly that arises within us and in relation to other beings

If you know of any fault of mine, show me the way to recover.

To build together a heavenly nation for the common good.

Bem-Vindos aos agrupamentos Celestiais

Aos irmãos que estão fora da abóboda celeste,

obrigado pela sua existência,

Venha a nós tudo o que procede de ti que for bom,

Seja feita uma vontade consciente e coletiva,

Assim na Terra como em outros lugares

Sejamos merecedores de nosso próprio sustento

Perdoai-nos a incompreensão que aflora de nossa essência

Assim como somos capazes de refletir e limitar o mal que aflora dentro de nós e em relação a outros seres

Se souberes de alguma falta minha, me mostre o caminho para me recuperar.

Para construirmos juntos uma nação celestial para o bem comum.

We need financial resources for the translation of our texts and if you are able to perceive a human gain in your life with our information please consider donating to our activity.

Nós necessitamos de recursos financeiros para a tradução de nossos textos e se você é capaz de perceber um ganho humano em sua vida com nossas informações favor considerar a possibilidade de fazer doações para nossa atividade.










The star contains more than 2,000 pages of information!






Insaut - Pular Informações corporativas e ir para o texto


10 ANOS DE LENDERBOOK





INSAUT TOP